Produto artesanal feito com muito afeto e um bocado de açucar: a saudabilidade em questão.

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Doce de leite

Doce de leite

QUANDO O ALIMENTO ARTESANAL DEIXA DE SER SAUDÁVEL.

Sabe quando você vê ali pertinho da sua casa um  estabelecimento local com produtos artesanais com dizeres do tipo:comida natural, comida fitness, comida saudável ou quando você vai em uma dessas feirinhas locais e vê um produto artesanal com a seguinte “TAG” : “Feito a mão com amor” ou “artesanalmente feito com carinho” …pois então, as vezes somos embalados por aqueles produtos lindos  que vem nos inebriando como uma névoa gostosa. Compramos muitas vezes, nos deixando levar por essa névoa do ‘feito com amor, do carinho e do artesanal’. E tudo bem. Só precisamos nos lembrar que artesanal não é sinônimo,  saudável, muitas vezes.

É bom você reconhecer qual o grau de saudabilidade você exige em seu dia a dia.  Seja o consumo próprio ou consumo para ser partilhado com pessoas queridas. Ou se você produz e vende alimentos, qual  é o grau de saudabilidade que  você oferece com o seu serviço do bem, seu negócio na área de alimentos?

Nesse texto você poderá aumentar  um pouquinho mais sua consciência da seguinte forma:
  • Conhecendo alguns fatores que compõem a “saudabilidade” de produtos.
  • Reconhecendo  como é a sua relação ( exigência, prioridade) com esses fatores  que trazem efeitos para sua vida e acabam compondo seu perfil de consumo.
  • E se você produz e vende produtos locais e artesanais  você terá oportunidade de ver algumas dicas que trazem  mais clareza sobre como comunicar esses fatores de saudabilidade de seus produtos aumentando assim a percepção de valor dos clientes sobre o que você produz, como produz e o que vende, podendo até aumentar seu preço. E isso vai desencadear outras ideias sobre como educar seu cliente sobre saudabilidade e a relação do que você oferece com  serviço do bem.
Tag de produto: Feito com amor

Tag de produto: Feito com amor

MEMÓRIA AFETIVA E CULTURA : FEITO ARTESANALMENTE COM MUITO CARINHO E AÇUCAR.

Bolo artesanal

Bolo artesanal

A forma como nos alimentamos é muito ligada com a “informação” e as experiências sobre o nutrir e o alimentar que tivemos em nossa família e em nossa cultura.  Cada um de nós, com essas heranças carrega em si, conceitos e formas que configuram determinadas visões sobre alimentação e isso acaba compondo certos hábitos, nossos ritmos e até mesmo nosso perfil de consumo.

Se tem um exemplo que eu posso dar é o meu mesmo e esse vem, como se diz por aí,  de “berço” .

Cresci em uma família em que se cozinhava em casa e comíamos todos juntos, sentados à mesa no café da manhã, no almoço e no jantar. Coisa rara para os dias de hoje. Até os meus 15 anos, vividos na década de 90, foi assim. E essa cena  é muito preciosa para mim.  Esse hábito de nos reunirmos, constantemente, em volta do alimento, com uma mesa bonita preparada pela minhã mãe, escutando estórias e mais estórias de meus pais. Noto que as fotos que temos em família (época em que fazíamos a revelação delas) , geralmente estamos reunidos à mesa. Sou muito grata à essa experiência herdada em minha família.

Percebo, que as gerações mais novas, essa moçada que nasceu na virada do século, ou seja no ano 2000, tem experiências bem diferentes, se alimentando fora de casa e com momentos mais escassos, talvez, para refeições em família. Novos tempos, novas dinâmicas de trabalho e ritmos. Isso não quer dizer que é bom ou ruim, mas é um padrão diferente.

Nasci nessa família que mescla o jeito mineiro de se alimentar ( uma variedade  de alimentos à mesa) somado  a abundância de alimentos (pra não dizer exagero comum às mães judias)  e  tom  de prazer “judaico” das reuniões sempre em volta do alimento.

Resumindo: come-se variadamente bem e muito.

Uma vez escutei a expressão: “Comer até ficar triste”

e isso  refletia exatamente  uma forma, um hábito que eu tinha.

Carrinho com venda de alimento

Carrinho com venda de alimento

Incorporamos muitos hábitos com essa história de como vivenciamos a alimentação: o tipo de alimento que nos foi servido, como vimos o alimento ser  preparado, quem o preparava, como era servido. Tudo isso é memória e fica registrado em nossa experiência.

Sobre o tipo de alimento: mineiramente falando, comemos muito queijo e leite,  mas muito mesmo. E doce com leite. E queijo.  E iogurte com leite.  E pão de queijo.

Numa época em que me propus  a diminuir o queijo e o leite me surpreendi como TUDO em Minas Gerais tem queijo e leite. Da salada às bebidas. Recentemente, me propus a diminuir os doces   e foi muito interessante reconhecer a ligação afetiva e carinhosa que fazia  a ponte entre alimento, prazer, ligação com meus avós e pais, a reunião familiar com pessoas queridas.

A memória mais viva que tenho  de minha avó Nieta é  de quando ia pra casa dela e ao longo do dia, ela  fazia pasteis de queijo e banana para mim.  Eu adorava os cheiros da farinha, os utensílios que ela usava, a máquina manual com a qual ela abria a massa, os longos movimentos e as risadas dela.

 

Mas… chega um tempo que é necessário deixar o paladar infantil.  E há alguns anos me propus a amenizar o consumo de doces, farinhas, entre outros alimentos. E então percebi que o consumo desses alimentos estavam muito ligados à minha história, à minha cultura.

A beleza do processo artesanal, do carinho, o prazer misturado com os doces inebriavam assim como o sorriso de minha avó.

Tive de fazer muito esforço para criar outro padrão alimentar, entender o que me fazia bem e me nutria. Comecei a perceber  que o conceito de saudável e bom  já não ressoava tanto com o jeito mineiro de se alimentar. No início me senti um peixe fora d’ água pra não dizer, uma certa culpa, ao reconhecer  que parte dos alimentos consumidos em minha infância, em minha casa deveriam agora ser transformados e outras  escolhas deveriam ser feitas.

E nesse momento um desabrochar de entendimentos aconteceu.

Foto scott webb

Foto scott webb

 

 SÃO MUITOS OS NÍVEIS….ENTENDA O QUE VOCÊ VALORIZA.

Os níveis de saudabilidade são tão variados que o conceito de saudável é adequado pra uns é inadequado pra outros, sabe por quê?
Porque há um abismo sobre o conceito de saudável entre as pessoas.
Comecei a notar que esse adjetivo “saudável” carrega entre cada letra um mundo inteiro de percepções.
 
VAMOS A UM CASO  (SUR) REAL:
 
Vegetais. Foto de Lou Liebau

Vegetais. Foto de Lou Liebau

Certa vez vez, estava eu participando de um curso  imersivo num local de práticas espirituais e holísticas e o alimento vinha da própria horta do local.
Legal né ? Mas …..em seu preparo era adicionado o famoso temperinho caseiro = glutamato monossódico.
 
O alimento nesse estabelecimento tinha tudo pra ser bacana, mas “escorregava” ao ser preparado com outros produtos muito nocivos à saúde.
Há um vídeo bem recente em que o Victor Sorrentino discorre de uma forma bem clara sobre os efeitos do glutamato. Clique aqui para ver.
Essa experiência nos mostra que nem tudo que é artesanal e cheio de carinho é saudável.  E então chega a hora de levantarmos alguns elementos ou atributos que compõem essa “tal” saudabilidade.

O QUE VOCÊ OFERECE A SI MESMO, AOS SEUS AMIGOS, FILHOS E CLIENTES?

Maças, fases e transformações

Maças, fases e transformações

ELEMENTOS QUE COMPÕEM A SAUDABILIDADE: DICAS PARA VOCÊ E PARA SEU SERVIÇO DO BEM

Chá. Aproveite o momento e prepare um chá para você e para quem está ao seu lado.

Chá. Aproveite o momento e prepare um chá para você e para quem está ao seu lado.Capriche. Faça uma pausa. Eu te espero aqui :-).

 

Sendo você um consumidor ou mesmo empreendendo um negócio no campo da alimentação será muito importante que você reconheça  o grau de saudabilidade que você oferece primeiramente, a si mesmo  :), aos seus filhos, amigos e aos seus clientes.
 Entenda o conjunto de  atributos que compõem e podem interferir na saudabilidade dos alimentos:
 
1-Procedência dos alimentos.
2-Alimentos industrializados- qual o grau de processamento dos mesmos.
Alimentos naturais- orgânicos, agroecológicos.
3-Temperos industrializados.
Temperos naturais.
4-Conservantes naturais ou industrializados.
5-Modo de preparo.
6- Modo de aquecimento ( ex.uso ou não microondas).
7- Armazenamento e estocagem.

Dicas para usar e abusar no seu serviço do bem:

  •  Se você dá preferência para uso de alimentos agroecológicos comunique isso em suas mensagens de marketing.
  • Poste fotos, conte histórias ou entreviste o produtor.
  • Eduque seu cliente sobre  as peculiaridades dos vegetais e seus ciclos de crescimento, colheita.

 

  • Ofereça receitas gostosas que utilizem seu alimento orgânico, agroecológico.
  • Se você tempera o alimento com ervas naturais deixe isso claro. Fotos ajudam sempre. Eduque seu cliente sobre a diversidade dos usos e benefícios de temperos e ervas naturais.

Veja um exemplo bem legal feito pelo Restaurante Recanto Vegetariano em São Paulo

Restaurante Recanto Vegetariano São Paulo

Restaurante Recanto Vegetariano São Paulo

Restaurante Recanto Vegetariano -SP. Couve Flor colhida.

Restaurante Recanto Vegetariano -SP. Couve Flor colhida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando entrei escutei  o dono do restaurante cochichando  algo do tipo: esse pûre de banana está divino e acabou de sair! É um restaurante enorme para 200 pessoas que funciona desde 1981 e tem produção própria  100% orgânicas de folhas e legumes.  Você paga um preço de R$40,00 e come o quanto quiser num buffet vegetariano com bebidas, refeição, sobremesa, café, chá.

Bom né? Quando fui o restaurante estava lotado!

Mas o mais bacana foi ver que ao invés de ter uma televisão passando notícias de jornais tinha uma projeção com vídeos que mostravam a colheita dos produtos do restaurante e o orgulho da  colheita!

Clique aquipara ver um desses vídeos.

Bem legal visualizar a procedência do alimento, a colheita, a felicidade de quem participa do processo.

Isso transforma qualquer almoço!

TEM MAIS DICAS PARA SEU SERVIÇO DO BEM

  • Incentive a produção própria de ervas, distribua mudas como um bônus ou um agradecimento para seu cliente.
  • Por outro lado informe sobre os malefícios dos temperos industrializados, realçadores de sabor. Diga claramente como eles vão trazer malefícios ao seu cliente.

 

  • Conte seus bastidores. O que é que você pode revelar que é muito bacana nos seus bastidores. Qual parte do processo  seu cliente iria gostar muito de conhecer? Utilize vídeos, imagens.
  • Limpeza e salubridade. Levante a mão se você já duvidou desses elementos em algum produto comprado. Pois então, mostre o  CUIDADO que seu negócio tem nesse quesito. Não custa lembrar a insalubridade, cuidados com validade de produto, tudo isso pode matar.
  • Sobre acondicionamento e embalagem o tipo de material você utiliza mostrando como seu negócio importa para que o alimento se mantenha bem acondicionado.

 Enfim você pode ajudar muito o seu cliente a entender o valor do que você faz e como você faz.

 

Benjamine. Garota propaganda da Benjamim Casa de Paes. Arte: Bárbara Damas

Benjamine. Garota propaganda da Benjamim Casa de Paes. Arte: Bárbara Damas

 
Essa aqui é a Benjamine.
Ela é a garota propaganda da Benjamin Casa de Pães.
Olha, a Benjamine, essa criaturinha muito simpática, é nossa cliente e estava desenvolvendo seu serviço do bem conosco e  me contou um segredo, certa vez,  que transformou meu olhar para os pães.
Ela me perguntou do que é feita a farinha de trigo no Brasil.  Achei meio óbvia e respondi: de trigo, uai! Então tive uma verdadeira aula. Ela me contou que, atualmente, no Brasil, a farinha de trigo não leva apenas trigo. Podem existir diversos outros itens em sua composição, dispensados da obrigatoriedade de constarem no rótulo.  Não fazemos ideia de que a maioria da nossa farinha leva alvejante – sim, ela não é branca só por conta da moagem – e um punhado de outros componentes que, em tese, melhoram o produto ( os melhoradores e tantos outros aditivos na pré mistura que é usada amplamente nas padarias).
Benjamim Casa de Pães

Benjamim Casa de Pães

E depois dessa aula ela me contou como ela preparava seus pães artesanais. Desde a importação da farinha (pois tem uma qualidade muiiiiito superior, passando pela criação e preparação do fermento natural que deixa o processo mais longo e traz uma variedade de benefícios:
  • o sabor é incomparável ao do pão tradicional;
  • Um índice glicêmico mais baixo do que outros pães;
  • Sua digestão é mais fácil, até mesmo para aqueles que são sensíveis ao glúten, devido a sua fermentação mais lenta;
  • Pode ser armazenado por mais tempo, pois o ácido acético que inibe o crescimento de bolor é produzido na fabricação de fermento;
  • Aumenta o teor de bactérias benéficas no intestino;
  • Possui uma série de nutrientes devido a complexidade de sua composição.

Você precisa educar seu cliente em relação à esses segredos importantes! Nós consumidores não sabemos muitas coisas e você, com seu saber,  pode nos ajudar a entender como as coisas são feitas!

A verdade é que quando eu comi o pão da Benjamim Casa de Pães eu descobri que eu não sabia o que era um pão de verdade!

 

E hoje estou decidida a seguir o conselho de Benjamine: Se for pra comer pão, se for pra oferecer para amigos e familiares que seja da Benjamim Casa de Pães! Manda uma mensagem pra Benjamine, vai! 31-99824-3232.

A garota Benjamine que não é boba nem nada, descobriu sua cara metade que é a conserva de abobrinha e as geléias do Jardim de Ísis. Ninguém segura essa dupla juntas! Isso se transforma num delicioso e muito nutritivo lanche com pão de fermentação natural e conserva de abobrinha. Já que você já encomendou o pão anote aí o telefone pra pedir as conservas e geléias: 99208-6853. (Aviso de amiga peça pelo menos uns 3, 4 pães e umas 2 conservas pra começar. Depois vc me conta quantas horas ela durou em sua casa, seu evento.

Nos lanches dos nossos eventos da Educação Harmônica a gente conta em minutos, pois sai rapidinho!

Conserva de Abobrinha e geléias. Jardim de Isis

Conserva de Abobrinha e geléias. Jardim de Isis

 

 

ARTESANAL É MAIS SAUDÁVEL ?

Voltemos ao nosso campo. A discussão fica ainda mais quente quando vemos um movimento crescente de empórios artesanais e centenas de pequenos negócios vendendo quitudes e delícias da roça, geralmente feito artesanalmente. É comum a mensagem: É mais saudável e feito com carinho.
 
E aí a coisa se complica: pode ser mais saudável sim se compararmos com processos industriais  mas contém  também muito leite e açucar  e já sabemos os efeitos, os estragos que que essa dupla nos traz. Carinho, afeto e açucar me faz lembrar do livro da Sônia Hirsch: SEM AÇUCAR, COM AFETO.
 
Então temos aí o sexto elemento que nos ajuda a entender a saudabilidade.
6- O  próprio alimento.
Você precisa saber se você fica confortável em vender esse tipo de alimento, doces, por exemplo. Há empreendedores que sofrem por produzirem  e venderem  produtos não tão saudáveis. Em uma dessas situações eu disse: é muito gostoso quando temos um doce bonito e de qualidade e podemos ofertá-lo à alguém.  Está tudo bem, mas você precisa estar confortável com o que vende. Isso sim é bem importante! Ter confiança e orgulho do que se produz e coloca no mundo.
Reconheça seus padrões e aprecie o efeito disso em sua vida

Reconheça seus padrões e aprecie o efeito disso em sua vida.

 

Provavelmente há muitos outros atributos que compõem a saudabilidade e quanto mais você reconhecê-los maior sua chance de fazer consumo mais consciente e ajudar seu cliente nas escolhas que ele faz em relação à escolha de seus fornecedores, estabelecimentos e ao consumo de alimentos.
Com alegria, me despeço trazendo duas boas notícias:
1- Bati minha meta! Hoje completei os 30 dias  de meu desafio.  Já tive notícia de gente que iniciou também seu desafio. Clique na imagem ou  aqui 
Eva Kosmas Flores

Eva Kosmas Flores

2- Já já nessa semana abriremos as vagas para grupos de autônomos e empreendedores que querem criar estrutura e desenvolver seus serviços do bem. Continuaremos com a possibilidade, para quem preferir,  de fazer o processo individualizado.

 

Ajudamos autônomos e organizações a tecerem, com equilíbrio, sustentabilidade e rentabilidade seu serviço do bem usando estratégias de diferenciação, singularidade e posicionamento aliadas a conhecimentos acessíveis de negócios e a visão integral e holística.

Se você tem interesse, envie um email para contato@educacaoharmonica.com.br   para receber mais informação. Trabalharemos com grupos pequenos.

Teia. Feira de produtos e experiências do Bem Educação Harmônica. Foto Cíntia Honorato.

Uma boa semana para você!

Ana Charnizon

Ana Charnizon. Serviços do Bem- Educação Harmônica

Ana Charnizon. Serviços do Bem- Educação Harmônica

 

 

 

 

 

 

 

www.educacaoharmonica.com.br

2018-02-18T23:38:03+00:00